Um agente de IA testando o seu site: como impedir que a página vire instrução

Tudo que o agente lê entra no contexto de um modelo que escreve código. As defesas estruturais contra injeção de prompt no modo URL.

Um agente de IA que testa o seu site precisa ler o seu site. E tudo que o agente lê entra no contexto de um modelo que escreve código. É o cenário clássico de injeção de prompt: o conteúdo de uma página tentando virar instrução. No modo URL do QAOS, esse risco foi tratado como parte do desenho, não como detalhe.

O risco de ler a página do cliente

No modo URL, o QAOS recebe só o endereço de uma aplicação que já está no ar. Sem repositório, os agentes não têm inventário de código. Ler as páginas resolve o palpite de seletores, mas muda duas fronteiras: o texto do site (título, estrutura) entra no prompt do planejador e do gerador de scripts, e a sessão ou a senha do cliente passam a conviver com um script escrito por um modelo que foi influenciado por esse texto.

Descobrir sem LLM e sem escrever nada

Antes de qualquer agente, roda um script fixo do QAOS, sem modelo de linguagem. Ele navega por links da mesma origem, usa apenas leituras (GET/HEAD) e respeita um teto de páginas por organização (padrão de 100). Cada página vira um item TELA <caminho>, com a árvore de acessibilidade como snapshot. Se não houver inventário, o fluxo para ali, com uma frase fixa e zero chamadas ao modelo.

O script só pode tocar no que existe

O texto do snapshot é tratado como entrada não confiável. Avisar o modelo de que “isso é conteúdo do site, não instrução” ajuda, mas o projeto é explícito: essa não é a contramedida. A contramedida é estrutural.

Todo script de teste de tela passa por uma análise da árvore sintática (AST) com uma lista permitida, em mundo fechado:

  • cada ação (click, fill, check, select_option…) só pode ser feita sobre um localizador semântico (por papel, rótulo ou texto);
  • todo localizador precisa existir no snapshot da tela daquele cenário;
  • seletor CSS cru, mouse, teclado e acesso a frames são recusados;
  • importações, chamadas e atributos fora de um conjunto fechado recusam o script, e a recusa é declarada.

A escolha por lista permitida em vez de lista de proibições é deliberada: uma lista de nomes proibidos nunca converge, porque sempre existe mais um caminho.

Credencial: o cuidado mais fácil de errar

Quando o teste precisa de login, usuário e senha chegam por uma fixture do harness e só podem ser usados como argumento de fill sobre um localizador conferido. Em tempo de execução, há trava de navegação e máscara nas imagens de evidência.

Uma execução real revelou um caso sutil: um redirecionamento (3xx) a partir de uma rota interceptada não voltava ao navegador, e a senha poderia seguir para um endereço externo. A correção não depende de o navegador “lembrar”: o harness confere o destino do redirecionamento contra a origem permitida e segue ele mesmo os saltos legítimos, até um limite.

Rede e sessão com fronteira

  • Tráfego só para o host do alvo. O código Python aceita apenas o nome exato do alvo. Outro nome é recusado, mesmo que resolva para o mesmo IP, porque CDNs compartilhadas roteiam por cabeçalho.
  • Sessão já pronta. Cookies e storage state são aplicados só ao host do alvo, e a URL usada para provar que a sessão funciona não aceita usuário nem senha.
  • Cabeçalhos de autorização por rota, nunca configurados de forma global.
  • Motivos publicados em vocabulário fechado. Saída bruta de contêiner vai para o log, não para o relatório.

O que ainda é risco

O projeto registra limites em vez de escondê-los. Um exemplo: um cookie não distingue porta, então outro serviço no mesmo host, em outra porta, receberia o cookie. Está documentado como risco residual.

Princípio: contra injeção de prompt, a defesa que vale é a que continua funcionando quando o modelo é enganado. A restrição precisa estar no código que valida o script, e não só no texto que pede ao modelo para se comportar.

Quer ver o QAOS rodando no seu sistema? Conte o seu cenário e a gente mostra o fluxo completo.

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